O que salta a vista nos programas de mobilidade é, quanto a mim, a concórdia quanto aos efeitos perniciosos do automóvel em Lisboa; é salutar comparar neste aspecto todos programas, apesar das suas diferenças e em particular com os programas das últimas eleições.
A bicicleta, nomeadamente, depois de toda a discussão em torno do mito das 7 colinas, pode arrogar-se de uma vitória pois está consagrada claramente em todos os programas. O presidente do ACP continuará a ladrar para a caravana que passa.
A coligação Lisboa com Sentido dá uma no cravo e outra na ferradura ao propor medidas de desenho urbano que favoreçam a circulação pedonal e outros aspectos estéticos perniciosos (como o estacionamento em segunda fila) mas convocando os automóveis para a armadilha da fiscalização que defende: a construção de dois túneis vai inevitavelmente injectar mais automóveis na cidade. É um contra-senso crasso.
A coligação Unir Lisboa é a mais completa mas quanto a mim peca em dois aspectos: não é suficientemente agressiva quanto a medidas de fiscalização, preferindo concentrar-se na sensibilização e não apostando na complementaridade de ambas. Ao mesmo tempo, é apologista da componente rodoviária da Terceira Travessia do Tejo, o que, novamente, vai introduzir mais automóveis em Lisboa.
A CDU também propõe medidas objectivas e funcionais, algumas bastante originais mas também defende a componente rodoviária da TTT (o que é ainda mais de estranhar dado estarem coligados com Os Verdes; e daí, talvez não seja assim tão estranho).
O BE, apesar da coerência das medidas defendidas, foi, quanto a mim, contaminado pela radicalidade das suas propostas ao propor a extinção completa da EMEL e não a reformulação de uma empresa pública que não é conhecida (paradoxalmente, dado deter o monopólio) pelo seu equilíbrio financeiro; um polícia de trânsito que SÓ multe é bastante mais dispendioso e desnecessário do que alguém que é apenas contratado para esse efeito.
Resta saber qual será, daqui a quatro anos, a percentagem do que ficou por cumprir do que nos foi apresentado. Pessoalmente, acho que é uma mais valia todas as forças políticas começarem a perceber que os transportes, a mobilidade, o estacionamento e as bicicletas são indicadores fundamentais na qualidade de vida de uma cidade.
Mas perceber não basta, é preciso actuar e actuar é tomar as medidas necessárias, que inevitavelmente serão pouco populares. O combate à escravidão do peão pelo automóvel é fundamental e não se pode planear uma cidade em função dos que por lá passam (de carro), mas sim, em função daqueles que lá escolheram viver. Viver é ter passeios desbloqueados e acessíveis, é poder estacionar sem ser em cima dos passeiso, é ter espaços verdes sem ser só em Monsanto, é ter ruas pedonais, é trazer as pessoas de volta aos espaços públicos urbanos é ter menos estaleiros de obra ...
2 comentários:
O que salta a vista nos programas de mobilidade é, quanto a mim, a concórdia quanto aos efeitos perniciosos do automóvel em Lisboa; é salutar comparar neste aspecto todos programas, apesar das suas diferenças e em particular com os programas das últimas eleições.
A bicicleta, nomeadamente, depois de toda a discussão em torno do mito das 7 colinas, pode arrogar-se de uma vitória pois está consagrada claramente em todos os programas. O presidente do ACP continuará a ladrar para a caravana que passa.
A coligação Lisboa com Sentido dá uma no cravo e outra na ferradura ao propor medidas de desenho urbano que favoreçam a circulação pedonal e outros aspectos estéticos perniciosos (como o estacionamento em segunda fila) mas convocando os automóveis para a armadilha da fiscalização que defende: a construção de dois túneis vai inevitavelmente injectar mais automóveis na cidade. É um contra-senso crasso.
A coligação Unir Lisboa é a mais completa mas quanto a mim peca em dois aspectos: não é suficientemente agressiva quanto a medidas de fiscalização, preferindo concentrar-se na sensibilização e não apostando na complementaridade de ambas. Ao mesmo tempo, é apologista da componente rodoviária da Terceira Travessia do Tejo, o que, novamente, vai introduzir mais automóveis em Lisboa.
A CDU também propõe medidas objectivas e funcionais, algumas bastante originais mas também defende a componente rodoviária da TTT (o que é ainda mais de estranhar dado estarem coligados com Os Verdes; e daí, talvez não seja assim tão estranho).
O BE, apesar da coerência das medidas defendidas, foi, quanto a mim, contaminado pela radicalidade das suas propostas ao propor a extinção completa da EMEL e não a reformulação de uma empresa pública que não é conhecida (paradoxalmente, dado deter o monopólio) pelo seu equilíbrio financeiro; um polícia de trânsito que SÓ multe é bastante mais dispendioso e desnecessário do que alguém que é apenas contratado para esse efeito.
Resta saber qual será, daqui a quatro anos, a percentagem do que ficou por cumprir do que nos foi apresentado. Pessoalmente, acho que é uma mais valia todas as forças políticas começarem a perceber que os transportes, a mobilidade, o estacionamento e as bicicletas são indicadores fundamentais na qualidade de vida de uma cidade.
Mas perceber não basta, é preciso actuar e actuar é tomar as medidas necessárias, que inevitavelmente serão pouco populares.
O combate à escravidão do peão pelo automóvel é fundamental e não se pode planear uma cidade em função dos que por lá passam (de carro), mas sim, em função daqueles que lá escolheram viver.
Viver é ter passeios desbloqueados e acessíveis, é poder estacionar sem ser em cima dos passeiso, é ter espaços verdes sem ser só em Monsanto, é ter ruas pedonais, é trazer as pessoas de volta aos espaços públicos urbanos é ter menos estaleiros de obra ...
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