Resumindo a minha perspectiva: numa área em que as comunicações multidireccionais têm tanta importância, é uma desilusão olhar para o programa do BE - há uma clara preocupação institucionalista, totalmente dedicada ao papel da autarquia como distribuidora de verbas e sublinhando a preocupação do formato interno e processual dessa distribuição. É certo que a transparência nos processos de atribuição de apoio fomenta justiça mas, em última análise, sabermos exactamente o "porquê" das acções (de apoio e outras) fomenta-a mais, para além de que a CML tem a responsabilidade de ter uma política pública visível na área cultural. O mais estranho é que normalmente esta preocupação processual surge em programas de partidos com experiência governativa que, de alguma forma, apresentam traumatismos burocráticos. De modo que, para mim, seja estranho que o único programa que parece reflectir sobre os "porquês" (enunciação de uma política pública para a cultura) é o UNIR LISBOA. Pode gostar-se ou não, mas há um pensamento estratégico: posicionamento como cidade criativa (algo até bastante perverso e discutível), aposta nas comunidades e no cosmopolitismo, missão para equipamentos municipais. A CDU não apresenta nem «porquês» nem «comos» e Lisboa Com Sentido tem um programa totalmente dedicado à empreitada - é tudo sobre o «onde».
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Resumindo a minha perspectiva: numa área em que as comunicações multidireccionais têm tanta importância, é uma desilusão olhar para o programa do BE - há uma clara preocupação institucionalista, totalmente dedicada ao papel da autarquia como distribuidora de verbas e sublinhando a preocupação do formato interno e processual dessa distribuição. É certo que a transparência nos processos de atribuição de apoio fomenta justiça mas, em última análise, sabermos exactamente o "porquê" das acções (de apoio e outras) fomenta-a mais, para além de que a CML tem a responsabilidade de ter uma política pública visível na área cultural. O mais estranho é que normalmente esta preocupação processual surge em programas de partidos com experiência governativa que, de alguma forma, apresentam traumatismos burocráticos. De modo que, para mim, seja estranho que o único programa que parece reflectir sobre os "porquês" (enunciação de uma política pública para a cultura) é o UNIR LISBOA. Pode gostar-se ou não, mas há um pensamento estratégico: posicionamento como cidade criativa (algo até bastante perverso e discutível), aposta nas comunidades e no cosmopolitismo, missão para equipamentos municipais. A CDU não apresenta nem «porquês» nem «comos» e Lisboa Com Sentido tem um programa totalmente dedicado à empreitada - é tudo sobre o «onde».
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